Saúde mental: uma conversa com Jup do Bairro

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2020 vai ficar marcado. Não só pela Covid-19, mas também pelo impacto em nossa saúde mental.

E nem mesmo no final do ano temos uma trégua? Em meio a uma crise histórica na saúde mundial, tivemos a recente notícia de que o atual governo brasileiro quer encerrar programas de saúde mental do SUS.

No dia 10 de outubro deste ano – Dia Mundial da Saúde Mental – falamos sobre a importância da saúde mental em uma live com a transartista e cantora Jup do Bairro e o psicólogo Carú de Paula Seabra, que coordena o Acolhe LGBT+.

Vale a pena resgatar alguns momentos marcantes dessa live maravilhosa e relembrar as reflexões trazidas pela Jup, que destaco a seguir.

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Há muita potência nas nossas fragilidades 

"Existe uma pressão de que precisamos ser fortes a todo momento, de que precisamos estar bem a todo momento e de que o nosso lugar de fragilidade significa fraqueza. Mas esse binário não existe, porque é a partir do momento que começamos a pensar a saúde mental e o autoconhecimento que conseguimos executar algo que vai além de nós mesmos."

Relações afetivas x relações efetivas 

"Nós precisamos urgentemente tornar as nossas relações afetivas em relações efetivas, de cuidado, porque, para além da terapia e do processo terapêutico, é também muito importante termos o apoio da nossa rede, para que a gente possa ser entendido, abraçado e conversar sobre o que precisa ser dito."

Reconhecer nosso lugar de contradição 

"Não vão ser todos os dias que iremos nos sentir bem com o nosso corpo, nem vão ser todos os dias que nos sentiremos contemplados com o que vemos no espelho, mas está tudo bem! Corpo é mente e mente é corpo. E a mente é contradição, então o corpo precisa ser contraditório também."

Destrinchar nossas palavras 

"Precisamos urgentemente cada vez mais destrinchar nossas palavras. E tudo bem ser a pessoa chata, ser a pessoa problematizadora, porque estamos nesse processo de entender e reverter lugares muito antigos. E tudo bem também você não saber quem é você, não saber para onde você vai, porque nós estamos nos reconhecendo agora!"

Que a nossa luta não seja sinônimo de luto

"Nossos corpos não estão resumidos a um sofrimento! É curioso como a notícia de morte de uma pessoa trans repercute mais do que o seu trabalho ou avanço. Precisamos sair dessa lógica vampiresca de banalizar as nossas mortes. É muito fácil você ter a sua diva travesti, mas continuar não propondo diálogos com pessoas trans que extrapolam da sua bolha social e da sua visão de higienização."

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As vivências de pessoas LGBT+ costumam ser marcadas por desafios – que têm se intensificado no atual contexto de pandemia. 

Essa conjuntura é um importante alerta pra nos lembrar que saúde física e mental andam de mãos dadas. Por isso, é importante ter consciência de como buscar meios para preservá-las, seja através do suporte profissional ou por meio do apoio de amigos e familiares.

Ficou com gostinho de quero mais? Então clica aqui pra assistir a íntegra desse hino de conversa entre a Jup e Carú!

É profissional de psicologia e topa acolher uma pessoa LGBT+ voluntariamente? Vem conhecer o Acolhe LGBT+!

E se você quer ficar ainda mais por dentro do assunto, confere (e compartilha!) as publicações da All Out sobre as conquistas do movimento LGBT+ na saúde mental pública e a importância do SUS para as pessoas LGBT+.

Fica bem! :)

Escrito por Marcos Paulo Melo. Voluntário na All Out e Diretor de Comunicação no Actum.

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